quarta-feira, 3 de março de 2010

A um mascarado

Rasga essa máscara ótima de seda
E atira-a à arca ancestral dos palimpsestos...
È noite, e, à noite, a escândalos e incestos
È natural que o instinto humano aceda!

Sem que te arranquem da garganta queda
A interjeição danada dos protestos,
Hás de engolir, igual a um porco, os restos
Duma comida horrivelmente azeda!

A sucessão de hebdômadas medonhas
Reduzirá os mundos que tu sonhas
Ao microcosmos do ovo primitivo...

E tu mesmo, após a árdua e atra refrega,
Terás somente uma vontade cega
E uma tendência obscura de ser vivo!

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